segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Novos contadores de histórias

Rola no Twitter, há bom tempo, uma campanha chamada Doe um livro neste Natal. Tímida no início, encorpou-se pela adesão de políticos, artistas e outros famosos, além de bom número de usuários rotineiros daquele serviço.

Trata-se, evidente, de um gesto nobre. É indiscutível o benefício da leitura na formação do homem como cidadão. É inegável que através do livro abrem-se inúmeras possibilidades de elos com a arte do conhecimento, elemento primordial para a educação de qualidade.

Entusiasmante também que o resultado dessas doações tenha como destino instituições que se dedicam à educação de crianças carentes.

O que para muitos pode parecer algo comum desta época do ano é, na realidade, tentativa de resgate de um saudável hábito. No caso de crianças carentes, além da dificuldade de acesso ao livro, agrega-se, mesmo que tardiamente, a possibilidade de realização daquela viagem imaginária por conta das letras, tão facilmente vividas através das histórias.

Quantas dessas crianças deixaram de viver o agradável momento de ouvir histórias para dormir? Muitas, certamente, pois até este instante de vínculo especial com os filhos pequenos já se perdeu por consequências do desordenamento familiar.

Kledir Ramil escreveu um artigo para Zero Hora, publicado em março de 2008, onde faz uma declaração capaz de nos levar à infância com seu fecho.

"Quando eu era criança, minha mãe contava histórias para me fazer dormir". Narrativas fascinantes, onde ela imitava as vozes dos personagens. Era um teatro particular - ou seria literatura falada? - com apenas um espectador. Ela entrava com o texto, o enredo, o som das vozes e eu, sem perceber que estava participando do processo criativo, imaginava os personagens, o cenário, a trilha sonora. Uma obra íntima, criada por uma equipe de dois. Uma obra volátil, sem registro físico, mas que ficou para sempre marcada em minha memória.

E fez de mim um contador de histórias.


Adiante da ideia de ajudar na formação de um novo leitor, no ato de doar um livro que será entregue a uma criança está a possibilidade de despertar o espírito criativo, capaz de fazer nascer mais um futuro "contador de histórias".

Só não aderi à campanha no Twitter porque nada me cura a particular dezembrite. E ela é associada ao Natal, uma data que não me faz a cabeça de forma alguma.

Nunca acreditei que possamos viver o ano inteiro sufocando nosso poder de ajuda para fazê-lo acontecer em apenas uma ocasião, justamente quando se acendem essas luzes artificialíssimas e que funcionam como uma espécie de explosão de sentimentos.

É preciso ter estes mesmos sentimentos durante o ano inteiro, em todos os dias, em todas as horas.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Domingo sem futebol

A gente se acostuma. Quando muda, sente.

Por mais que ultimamente o futebol não tenha sido bom exemplo pra nada, nossas tardes de domingo se repetem com tudo sendo adaptado ao momento da espera da vibração da torcida, das cores do espetáculo, da magia do gol.

Hoje, o primeiro domingo deste dezembro sem futebol, exigiu uma nova postura. Entre aquela preguiça típica dos velhos domingos, o acordar tarde, o café tomado com mais calma e depois a busca por algo novo a se fazer, independente da velha rotina ainda tentar moldar o dia, as horas...

Porque aqui já é rotina acordar tarde aos domingos. Porque aqui não existe horário de almoço, existe a hora da fome. E quando ela chega a gente vai pra cozinha organizar uma coisa que chamamos de “almojanta”.

Enquanto isto, naquele velho momento nobre do futebol, a gente toma umas e outras e belisca, belisca, belisca. Estou roxo!

Esses beliscos ficam finos ao som de uma boa música. Um rock! Sim, o rock está na veia. Hoje foi com Lulu e seu “Acústico MTV”. E ele ainda me canta que ‘sábado à noite não devia se acabar... ’, não sem antes dizer sobre ‘toda forma de amor’. Show.

E assim vai passando a tarde, que sorri com um riso sarcástico à vontade dos meteorologistas em quererem ser oniscientes. Hoje erraram. Era pra ser um dia triste, molhado e frio. Eles erraram. Assim como erraram aqueles maus torcedores coxas, hoje presos. Que fiquem lá, até apodrecerem de desgosto e talvez lhes passar pela cabeça o arrependimento.

Pra gente fica a certeza, como no canto do Lulu, que "pra todo mal há cura"...

Ah, ia esquecendo de contar: no forno tem uma peça de filé mignon que já está me deixando alucinado de fome. ‘Tudo acontece como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer’.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Considerações sobre uma tragédia anunciada



Quando a diretoria do Coritiba F.C. anunciou a programação para o ano do centenário ficaram evidentes alguns equívocos.

Para começar 2009 seu Departamento de Futebol foi buscar Ivo Wortmann, um técnico marcado negativamente por ter abandonado o clube tempos antes, quando aceitou uma proposta do Cruzeiro no meio do Campeonato Brasileiro.

Montou um time com base em figuras medíocres, rejeitadas em outros clubes. Em lugar de promover valores das suas bases, preferiu nomes como Jailson, Pereira, Rômulo, Marcos Aurélio, Cleiton e Jéci. Manteve atletas que não queriam permanecer na equipe, como Carlinhos Paraíba. Preferiu pagar uma fortuna a Marcelinho Paraíba depois de vender seus melhores valores a preços ridículos.

Não usou sua representatividade contra uma excrescência inclusa no regulamento do regional, o "super mando" (o primeiro colocado da fase inicial teria a vantagem de jogar oito partidas seguidas em seu reduto).

Priorizou a disputa da Copa do Brasil quando fazia péssima campanha no Campeonato Brasileiro e já se via ameaçado pelo pior.

Após a decisão sobre as cidades sedes da Copa do Mundo do Brasil, anunciou uma parceria fajuta que visava a construção de um novo estádio, em autêntico ato de iludir o torcedor e provocar o adversário que teve seu estádio confirmado para os jogos de 2010.

Começou a colher os frutos amargos dos equívocos.

Perdeu o Campeonato Paranaense. Acabou em terceiro lugar, atrás do Corinthians Paranaense (ex-Malutron). Só foi vencer no Campeonato Brasileiro na sexta rodada e resolveu "repatriar" René Simões sem o consenso do Departamento de Futebol. Foi eliminado da Copa do Brasil pelo Internacional. A promessa de um novo estádio virou um sonho enterrado pela Prefeitura de Curitiba que não aprovou o projeto.

O Skank se negou a tocar para o Coritiba. O show de Cláudia "Milk" foi cancelado por falta de clima.

Dispensou Simões e trouxe Ney "Fraco" que havia recebido bilhete azul pelo péssimo desempenho no Botafogo.

A mediocridade do time em campo se traduziu por campanha pífia nos jogos fora de casa, quando obteve apenas duas vitórias em 19 jogos. Em casa, apesar de algumas performances vitoriosas contra clubes de expressão, mas que viviam fases ruins (Fla, São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Atlético Mineiro), perdeu pontos preciosos contra Barueri, Sport e Santo André.

O epílogo da tragédia é do conhecimento de todos. Perdeu duas partidas jogadas sem alma, contra Santos e Cruzeiro (4 x 0 e 4 x 1) e ruiu a casa, domingo, no empate com o Fluminense, culminando com o grotesco episódio de violência repercutido em todo o país e mundo afora.

O capítulo mais negro, no entanto, aconteceu a partir das concessões à sua Torcida Organizada. Ao início da semana passada, sabedor do altíssimo grau de risco da última partida, quando precisava vencer para não cair, reduziu o preço dos ingressos na intenção de lotar o estádio. Foi um autêntico financiamento da bandidagem. Houve ameaças da torcida por telefone e a Diretoria sabia da possibilidade de invasão.

O saldo do Centenário: sem títulos, sem estádio (o Couto Pereira já está interditado preventivamente), sem moral, sem finanças e sem futuro.

Ontem seu presidente anunciou que não deixará o clube e afirmou que concorrerá à reeleição no próximo pleito, circunstancialmente adiado para o dia 21.12.09.

Será preciso dizer mais?


AJUDE A POLÍTICA MILITAR DO PARANÁ A CAÇAR OS BANDIDOS DA IMPERIO ALVIVERDE. Veja as fotos.

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PEQUENAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS TORCIDAS ORGANIZADAS


Até às 12:30 horas de hoje pesquisa da RPC - Rede Paranaense de Televisão - apontava o seguinte resultado: "Você acha que a extinção das Torcidas Organizadas contribuirá para a redução da violência no futebol?"

- SIM: 62,5%
- NÃO: 37,5%

Por ocasião do último AtleTiba houve a morte de um torcedor em decorrência das arruaças posteriores ao jogo. É conhecido o comportamento altamente agressivo das facções em Curitiba. Se você é um dos que as defende, saiba:

- aqui elas promovem balbúrdias ao final de todos os jogos, sem exceções, independente dos resultados, com agressões mútuas e pancadarias vergonhosas nas ruas, repetidas vezes em brigas até contra as mesmas cores;

- a Prefeitura contabiliza prejuízos intoleráveis pela depredação dos patrimônios públicos, principalmente em veículos do transporte coletivo e estações-tubo;

- as agressões são comuns contra transeuntes, sejam eles homens, mulheres ou crianças, policiais ou autoridades;

- A Império Alviverde tem em suas fileiras elementos de alta periculosidade e é dirigida por elementos que fazem disto uma "profissão".

- as sedes das torcidas são antros de desocupação, ambientes vulneráveis ao tráfico e consumo de drogas;

- nos atos de vandalismo já ocorreram agressões graves contra a vida, ocorrência que sempre tem como palco as estações-tubo;

- a rivalidade entre elas é alimentada com complacência das autoridades que não se empenham na punição exemplar. É inaceitável que este tipo de crime seja punido com pagamento de cestas básicas;

- o portal Paraná Online não tem a mínima preocupação com a ordem pública, pois publica comentários às suas notícias sem qualquer moderação. Eles contém provocações de baixo calão de parte a parte e fomentam o clima de selvageria e desrespeito à pessoa;

- a direção dos clubes é relaxada no aspecto de segurança ao não criar mecanismos de identificação desses "torcedores". Eles adentram aos estádios portando fogos de artifício e drogas.

Diante desta realidade e da folha corrida de tais facções em anos de vergonhosa tolerância no futebol de Curitiba, só tivemos tímidas discussões sobre a "extinção das torcidas". O máximo conseguido foi a limitação de presença da torcida adversária em clássicos e algumas reuniões com a PM onde se procurou um acordo de paz. Acordo com bandidos? Sim, isto! Depois do acordo elas programaram uma passeata conjunta, da qual participaram menos de 100 torcedores.

Agora, depois do episódio Couto Pereira, o Sr. Secretário de Segurança já admite a possibilidade de extinguir com a Fúria deste Império Fanático da delinquência. Todavia, não acredito em qualquer ação contundente dos orgãos de segurança. Nem mesmo a severidade das punições que certamente serão aplicadas ao Coritiba será um balizador para as medidas de repressão nas questões públicas.

Pena, pois estamos perdendo uma grande oportunidade.

É preciso analisar os exemplos vindos da Europa, onde medidas enérgicas resultaram na redução da violência. Depois, Curitiba tem um nome a zelar e é sede da Copa 2014.

Ao Coritiba F.C. resta pagar por seus graves erros administrativos, inclusive os de tolerância à violência, pois foram cometidos pelas vias da subestimação de riscos e negligência com a segurança.

Desejo que o Coxa possa reconstruir sua imagem. Terá que começar do zero. Ou dos 100 negativos.

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EFABULATIVO

Aproveitando a passagem do presidente Lula por Curitiba – ocasião em que veio dar posse ao primeiro juiz cego do Brasil – o Coritiba lhe convidou a participar da solenidade de lançamento da medalha comemorativa do Centenário.

Dado o conhecido pé frio do "Ilusionista" no que diz respeito as coisas do esporte, recebi um comentário de um leitor onde recomendava que eu começasse a rezar, pois do desastrado convite poderia resultar o rebaixamento do time.



domingo, 6 de dezembro de 2009

Acabem com as torcidas organizadas de Curitiba

O que se sucedeu hoje, no Estádio Couto Pereira, em Curitiba, é mais do que suficiente para uma decisão do Poder Público do Paraná em "extinguir as torcidas organizadas de futebol".





Um jogo de futebol, considerado um espetáculo público, que deveria ser destinado a cidadãos civilizados, não pode - em hipótese alguma - se transformar num atentado à integridade moral de ninguém.

Além de inúmeros feridos, houve caso gravíssimo de agressão a um policial militar e a um dirigente do Fluminense, além do trio de arbitragem. Tiros foram desferidos, patrimônio destruído e o gramado invadido pela torcida se transformou em verdadeira praça de guerra. Foi necessária a presença de um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal para remover feridos. A perigosa confusão prolongou-se para as imediações do estádio. Pelo rádio ouvi notícias que já davam conta de depredações em estações-tubos do transporte coletivo.



Vergonha! Não teve futebol. Teve um triste episódio de selvageria que denigre o nome do clube, da cidade exemplar que é Curitiba e do próprio estado, um dos mais pujantes do país. Isto tudo por culpa de um grupo de irresponsáveis, irremediavelmente tomados por paixão insana e temperada muitas vezes por drogas e álcool livremente consumidos dentro dos nossos estádios.




Que existem culpados na cúpula que dirige o esporte também não há dúvida. A torcida do Coritiba já havia anunciado a vergonhosa baderna, caso o time não escapasse do rebaixamento. A diretoria promoveu redução do preço dos ingressos, permitindo que a marginália ocupasse o mesmo espaço de gente de bem. Se ela sabia disto deveria ter trabalhado no sentido de promover reforço estratégico que não permitisse a invasão.



Nem vou falar sobre o jogo, sobre o resultado e o rebaixamento para a Série B, o que aliás, foi uma consequência da fragilidade administrativa e da incompetência que dirige o clube há muito tempo, portanto merecido. Caberá a nova diretoria, a ser eleita ainda em dezembro, catar os cacos e tentar reerguer o clube. De preferência sem concessões a bandidos e apoiando a extinção da Império Alviverde, uma das torcidas organizadas mais violentas do país.

Tirem suas próprias conclusões pelo vídeo. 






O Estádio Couto Pereira corre sérios riscos de ser interditado por longo período na próxima temporada. As imagens da TV, o relatório do árbitro que também foi agredido junto com seus auxiliares e a repercussão do lamentável episódio pesarão no futuro do Coritiba. Tudo por culpa direta de dirigentes amadores e uma torcida irresponsável.

Não há o que lamentar no âmbito esportivo, pois o castigo veio pelos erros.

Agora, se tiver forças, restará reconstruir.




Imagens do Portal UOL

sábado, 21 de novembro de 2009

Carta à Mãe


Palácio Avenida - Sede do HSBC - Local do maior evento natalino de Curitiba
Imagem: Portal HAGAH



Mãe,

Está tudo tão triste por aqui. Você sabe como sempre me foi difícil viver dezembros. Ainda lembro que tive uns quatro que não poderei esquecer nunca, aqueles quando Gabriela era criança.

Hoje mãe, minha dezembrite se tornou crônica. Tenho dores intensas nos tímpanos, elas quase me levam à loucura. Um velho amigo sem saber, não o culpo, me mandou um cartão de Natal. Quando abri para ver o que estava escrito, começou a tocar "noite feliz". Eu o fechei imediatamente e larguei lá na estante. Mesmo assim vou agradecer por e-mail.

Pior, mãe, é que quando saio pela cidade está tudo enfeitado de artificialidades. Fachadas, vitrines, monumentos, prédios inteiros me agridem com aqueles tons vermelhos saídos dos laços de fitas das caixas de presente estilizadas. À noite, aquelas luzes pequeninas e enfileiradas me atacam a retina e como uma ordem unida fazem meu cérebro imediatamente pensar em velhos tempos que eu queria tanto esquecer. No outro dia, lá defronte a padaria, cedinho, já está a postos aquele vendedor de pinheirinhos. Ele vende uma árvore morta para que se comemore vida.

Mas o que mais me agride é a hipocrisia desta multidão que sai às lojas comprar presentes e toma as ruas com três filhos em cada mão, mãe. Tenho evitado ônibus. Aquela linha que frequento, onde tem um carro novo com sistema de som sempre tocando música clássica, agora mais parece corredor de shopping com um interminável "dingobell". Outro dia tive que viajar com a cara pra fora da janela, porque possivelmente o pacotão de uma senhora pagou duas passagens! Por isso tenho andado muito a pé e evito sair do bairro.

Aqui no Rebouças, pelo menos é mais pacato. A urbe sai de casa todas as tardes e vai se acotovelar lá defronte ao Palácio Avenida pra ver e ouvir a piazada cantar. Eu saio do trabalho, volto pra casa e fico sentado na calçada. A solidão me enche de um vazio perturbador, não acho qualquer pensamento interessante que sirva pra um texto novo no blog.

Tenho evitado os restaurantes, eles estão cheios demais. São muitas crianças correndo com sorvetes escorrendo, grupos festejando o Natal da empresa, happy-hours de executivos que tentam a última trepadinha do ano com a secretária cantada o ano inteiro. É tudo tão comum, mãe. Todo ano a mesma coisa.

Quando vou dormir tenho pesadelos. Ouço uma sinfonia de sinos e acordo assustado e trêmulo, vertido em suores, pensando que tudo é verdade, até que estou apaixonado outra vez. Acendo a luz e caio na real. Ainda são só duas da madrugada. Levanto e vou olhar a lua. É incrível, no vizinho ainda pisca um pinheirinho e Simone continua na vitrola! Volto pra cama, me debato e penso só em janeiro mãe, só em janeiro.

Outra noite, em meio a todo este drama, tive um sonho bom. Estava numa parte do mundo onde o ano só tinha onze meses. Lá, pra compensar a falta do dezembro, as pessoas se tratavam bem todo o tempo. Não havia presentes, mas todos se cumprimentavam ao se encontrarem, independente se eram conhecidos ou não. Andei num trem onde as pessoas davam os lugares para os velhinhos. Os jovens não fingiam dormir para não olhar as pessoas necessitadas e ceder o assento. Teve um que até me ofereceu o dele, imagine! Desligou o MP3 e viajou todo o percurso conversando comigo. Minha emoção não suportou aquela cena e eu chorei de alegria. Tarde da noite eu saia passear e, sem medo de nada, marcava encontros inesquecíveis com minha inspiração. Escrevia até poemas.

Algo me tocou neste sonho, mãe. Quando o relógio marcou meia-noite do último dia de novembro e janeiro já rasgava o tempo e entrava no palco da vida, todos pararam onde estavam e tentaram achar algum desconhecido. Abraçaram-se, sorriram, conversaram. Eu estava defronte a porta de uma casa com janelas floridas. Vi subir a vidraça e um casal apareceu e desapareceu no mesmo instante. Quando dei por mim eu estava entre os dois, cada um me tomando mais que o outro.

Levaram-me lá pra dentro daquela bela casa e me trataram como um filho. Quiseram saber tudo de mim. Deram-me todas as honras, ofereceram-me um belo jantar servido numa enorme mesa com toalha amarela, mãe. A minha cor preferida! Enquanto jantávamos tocava uma música suave que eu não decifrava. Tudo que perguntaram sobre mim eu contei. Foi incrível, eu nem os conhecia. Respondi só a verdade. Também me disseram sobre eles e senti que havia sinceridade. Aquelas pessoas eram tão boas e não havia nem um santo na parede.

Quando chegou a hora de voltar pra casa, ofereceram-me um cômodo, pediram-me para que ficasse e retornasse no dia seguinte. Levaram-me a outra sala e uma grande vitrola se encheu de jazz. A música daquele lugar era linda demais, mãe.

Acordei do sonho intrigado. Tudo pareceu novidade demais, à exceção de um detalhe apenas: as fisionomias daquele casal eram por demais parecidas com você e papai...

Mãe, mas eu não vejo a hora de janeiro chegar. Daí eu irei lhe visitar. Prometo levar um presente de Ano Novo.

Tem uma toalha amarela aí?


[Dedico este texto a dois grandes amigos virtuais, Jayme Serva e Ricardo Ramos Filho, companheiros de enfermaria no tratamento da dezembrite e autores de dois textos fenomenais, linkados respectivamente no segundo e terceiro parágrafos deste meu precário desabafo.]


Este "delírio dezembrino" foi originalmente publicado em 17.12.2007, na segunda versão do Infinito Positivo, quando ainda hospedado no Blogger.br.

Conservei as dedicatórias do texto, pois até onde sei, meus dois grandes amigos ainda tem dezembrite.



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Gol de Zagallo

O velho Lobo esteve ontem em Curitiba, empenhando seu importante apoio ao Programa Gols Pela Vida, do Complexo Pequeno Príncipe.

O Programa reúne projetos com a finalidade de angariar recursos para atividades assistenciais que beneficiam o Hospital Pequeno Príncipe e o principal articulador é o ex-atleta Edson Arantes do Nascimento. Pelé empresta seu nome ao Instituto de Pesquisa do Hospital.

O Pequeno Príncipe tem como missão promover a saúde da criança e do adolescente por meio da assistência, do ensino, da pesquisa e da mobilização social.

À noite, em jantar no Graciosa Country Club - com renda revertida ao projeto -, Zagallo recebeu a imprensa e convidados e demonstrou estar emocionado com sua participação no Programa.

Zagallo contou que pretendia ter estado muito antes em Curitiba, mas tem um trauma em voar para a cidade: todas as vezes que o fez teve problemas. Ontem, no entanto, foi diferente, deu tudo certo. Brincou, dizendo que ao chegar encontrou uma senhora que não parava de rir e dizia "Vocês vão ter que me engulir". Confessou-se feliz.

O Velho Lobo, sem dúvidas, acrescenta ainda mais credibilidade ao Programa Gols Pela Vida. E para não dizer que não falou de futebol, comentou sobre Dunga: "Muita gente não acreditava nele, mas ele está ganhando. Ele está fazendo um trabalho grandioso, mas há muita coisa pela frente. Tem a Copa do Mundo, e ele tem que fazer um time que respeite os adversários, que saiba atacar e saiba defender. É preciso equilíbrio, e o Dunga está trabalhando bem”.

Aos 78 anos, este gesto de Zagallo é um belo exemplo a muitos "famosos".


Imagem publicada pelo site futebolparanaense.net

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Ney Bravo - Produtor Cultural e "Plagiador"

---- DENÚNCIA ----

Parece-me ridículo que alguém se diga "produtor de cultura e crítico" e não tenha competência, pelas vias vias da capacidade intelectual, experiência, ideias próprias e criatividade, para formatar - de sua própria lavra - um texto razoável a respeito de um acontecimento do cotidiano.

Parece-me cretinice alguém assim plagiar um texto sobre assunto tão debatido (como foi o caso da aluna da UNIBAN), de fácil compreensão e análise para se produzir meia dúzia de linhas como comentário ou crítica da sua autoria.

Pois foi assim, de forma ridícula e cretina, que agiu o Sr. Ney Bravo, autor do blog que leva seu próprio nome.

Este texto, abaixo reproduzido (publicado em 11.11.2009), que sofreu pequenas modificações, como ilustrado na imagem, é da autoria do blogueiro Ítalo de Paula Pinto e foi publicado originalmente em seu blog Críticas & Reflexões, no dia 10.11.09, com o título "Ainda há espaço para hipocrisia …"

É vergonhosa, mas chega até ser ingênua a atitude de alguém como o Ney. Possivelmente ele desconhece, além do direito de autoria, a existência de mecanismos que detectam plágio. Merece ter seu ato desonesto reportado ao Blogger para que seu endereço seja bloqueado. É o mínimo a ser feito.




Notem que o cabeçalho do blog do Ney indica que seu conteúdo se refere a cidadania, cultura, opinião e solidariedade. Imaginem!


COMENTÁRIO QUE DEIXEI NO BLOG DO NEY BRAVO

Você se diz "crítico & observador político" e critica e observa com as palavras e os olhos alheios?

Você se diz "produtor cultural" e desconhece o que seja 'plágio'? Como pode produzir cultura através de um ato considerado crime?

Ney, é muito triste a gente testemunhar atitudes como a sua. Até porque - ao menos a considerar seu perfil - você parece uma pessoa esclarecida, acima da média. É desanimador ver gente como você usando esse "subterfúgio condenável" do plágio, pois seria justamente de um "produtor cultural" que deveríamos esperar o respeito pela obra alheia. Ninguém melhor do que quem trabalha com a produção cultural para entender o sacrossanto direito autoral.

Mas não é o que acontece com você na atitude aqui provada e que se configura em verdadeiro abuso, pra não dizer crime.

O texto do Ítalo de Paula recebeu neste seu post algumas "ridículas" modificações para tentar "persuadir" o leitor a acreditar que ele seja seu. Você agiu com declarada ignorância cultural e completa leviandade.


[UPDATE - 14.11.09 | 17:06} -

Após ter sido contatado pelo Ítalo de Paula, por e-mail, o Sr. Ney Bravo retirou o blog do ar. Transmito meus agradecimentos aos amigos do Twitter que ajudaram a pressionar: @NovaPierFm, @Editoranovitas, @Veluca e @epidermedaalma.


 

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