Quando a diretoria do
Coritiba F.C. anunciou a programação para o ano do centenário ficaram evidentes alguns equívocos.
Para começar 2009 seu Departamento de Futebol foi buscar Ivo Wortmann,
um técnico marcado negativamente por ter abandonado o clube tempos antes, quando aceitou uma proposta do Cruzeiro no meio do Campeonato Brasileiro.
Montou um time com base em figuras medíocres, rejeitadas em outros clubes. Em lugar de promover valores das suas bases, preferiu nomes como Jailson, Pereira, Rômulo, Marcos Aurélio, Cleiton e Jéci. Manteve atletas que não queriam permanecer na equipe, como Carlinhos Paraíba. Preferiu pagar uma fortuna a Marcelinho Paraíba depois de vender seus melhores valores a preços ridículos.
Não usou sua representatividade contra uma
excrescência inclusa no regulamento do regional, o "super mando" (o primeiro colocado da fase inicial teria a vantagem de jogar oito partidas seguidas em seu reduto).
Priorizou a disputa da Copa do Brasil quando fazia péssima campanha no Campeonato Brasileiro e já se via ameaçado pelo pior.
Após a decisão sobre as cidades sedes da Copa do Mundo do Brasil, anunciou uma parceria fajuta que visava a
construção de um novo estádio, em autêntico ato de iludir o torcedor e provocar o adversário que teve seu estádio confirmado para os jogos de 2010.
Começou a colher os frutos amargos dos equívocos.
Perdeu o Campeonato Paranaense. Acabou em terceiro lugar, atrás do Corinthians Paranaense (ex-Malutron). Só foi vencer no Campeonato Brasileiro na sexta rodada e resolveu "repatriar" René Simões sem o consenso do Departamento de Futebol. Foi eliminado da Copa do Brasil pelo Internacional. A promessa de um novo estádio virou um sonho enterrado pela Prefeitura de Curitiba que não aprovou o projeto.
O Skank se negou a tocar para o Coritiba. O show de Cláudia "Milk" foi cancelado por falta de clima.
Dispensou Simões e trouxe Ney "Fraco" que havia recebido bilhete azul pelo péssimo desempenho no Botafogo.
A mediocridade do time em campo se traduziu por campanha pífia nos jogos fora de casa, quando obteve apenas duas vitórias em 19 jogos. Em casa, apesar de algumas performances vitoriosas contra clubes de expressão, mas que viviam fases ruins (Fla, São Paulo, Grêmio, Palmeiras e Atlético Mineiro), perdeu pontos preciosos contra Barueri, Sport e Santo André.
O epílogo da tragédia é do conhecimento de todos. Perdeu duas partidas jogadas sem alma, contra Santos e Cruzeiro (4 x 0 e 4 x 1) e ruiu a casa, domingo, no empate com o Fluminense, culminando com o grotesco episódio de violência repercutido em todo o país e mundo afora.
O capítulo mais negro, no entanto, aconteceu a partir das concessões à sua Torcida Organizada. Ao início da semana passada, sabedor do altíssimo grau de risco da última partida, quando precisava vencer para não cair, reduziu o preço dos ingressos na intenção de lotar o estádio. Foi um autêntico financiamento da bandidagem. Houve ameaças da torcida por telefone e a Diretoria sabia da possibilidade de invasão.
O saldo do Centenário: sem títulos, sem estádio (o Couto Pereira já está interditado preventivamente), sem moral, sem finanças e sem futuro.
Ontem seu presidente anunciou que não deixará o clube e afirmou que concorrerá à reeleição no próximo pleito, circunstancialmente adiado para o dia 21.12.09.
Será preciso dizer mais?
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Veja as fotos.
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PEQUENAS CONSIDERAÇÕES SOBRE AS TORCIDAS ORGANIZADAS
Até às 12:30 horas de hoje pesquisa da RPC - Rede Paranaense de Televisão - apontava o seguinte resultado: "Você acha que a extinção das Torcidas Organizadas contribuirá para a redução da violência no futebol?"
- SIM: 62,5%
- NÃO: 37,5%
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Por ocasião do último AtleTiba houve a morte de um torcedor em decorrência das arruaças posteriores ao jogo. É conhecido o comportamento altamente agressivo das facções em Curitiba. Se você é um dos que as defende, saiba:
- aqui elas promovem balbúrdias ao final de todos os jogos, sem exceções, independente dos resultados, com agressões mútuas e pancadarias vergonhosas nas ruas, repetidas vezes em brigas até contra as mesmas cores;
- a Prefeitura contabiliza prejuízos intoleráveis pela depredação dos patrimônios públicos, principalmente em veículos do transporte coletivo e estações-tubo;
- as agressões são comuns contra transeuntes, sejam eles homens, mulheres ou crianças, policiais ou autoridades;
- A Império Alviverde tem em suas fileiras elementos de alta periculosidade e é dirigida por elementos que fazem disto uma "profissão".
- as sedes das torcidas são antros de desocupação, ambientes vulneráveis ao tráfico e consumo de drogas;
- nos atos de vandalismo já ocorreram agressões graves contra a vida, ocorrência que sempre tem como palco as estações-tubo;
- a rivalidade entre elas é alimentada com complacência das autoridades que não se empenham na punição exemplar. É inaceitável que este tipo de crime seja punido com pagamento de cestas básicas;
- o portal
Paraná Online não tem a mínima preocupação com a ordem pública, pois publica comentários às suas notícias sem qualquer moderação. Eles contém provocações de baixo calão de parte a parte e fomentam o clima de selvageria e desrespeito à pessoa;
- a direção dos clubes é relaxada no aspecto de segurança ao não criar mecanismos de identificação desses "torcedores". Eles adentram aos estádios portando fogos de artifício e drogas.
Diante desta realidade e da folha corrida de tais facções em anos de vergonhosa tolerância no futebol de Curitiba, só tivemos tímidas discussões sobre a "extinção das torcidas". O máximo conseguido foi a limitação de presença da torcida adversária em clássicos e algumas reuniões com a PM onde se procurou um acordo de paz. Acordo com bandidos? Sim, isto! Depois do acordo elas programaram uma passeata conjunta, da qual participaram menos de 100 torcedores.
Agora, depois do episódio Couto Pereira, o Sr. Secretário de Segurança já admite a possibilidade de extinguir com a
Fúria deste
Império Fanático da delinquência. Todavia, não acredito em qualquer ação contundente dos orgãos de segurança. Nem mesmo a severidade das punições que certamente serão aplicadas ao Coritiba será um balizador para as medidas de repressão nas questões públicas.
Pena, pois estamos perdendo uma grande oportunidade.
É preciso analisar os exemplos vindos da Europa, onde medidas enérgicas resultaram na redução da violência. Depois, Curitiba tem um nome a zelar e é sede da Copa 2014.
Ao Coritiba F.C. resta pagar por seus graves erros administrativos, inclusive os de tolerância à violência, pois foram cometidos pelas vias da subestimação de riscos e negligência com a segurança.
Desejo que o Coxa possa reconstruir sua imagem. Terá que começar do zero. Ou dos 100 negativos.
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